Meus primeiros inhames, plantados em vasos comuns de 30 centímetros de profundidade, cresceram apertados: as raízes saíram curtas e tortas, longe do formato que eu esperava. Passei então para uma caixa elevada, e o resultado melhorou.
Caixa elevada é uma caixa de madeira sem tampa, cheia de terra, apoiada em pés para ficar acima do chão e com o fundo furado para a água escoar. Por isso, o lugar importa: o ideal é deixá-la num quintal ou num canto da varanda com ralo, onde a água possa sair para uma calha ou para a área externa sem molhar a casa. Por ser mais funda e mais larga que um vaso, ela dá espaço para a raiz descer e se espalhar.
As raízes tropicais, como inhame e batata-doce, são plantas cuja parte comestível se forma debaixo da terra e que crescem melhor com calor, solo solto e bastante espaço. É isso que esse tipo de caixa oferece. Montá-la foi simples, mas alguns detalhes de altura, terra e água decidiram o resultado.
Como montei a caixa elevada com boa drenagem para inhame e batata-doce
Montei a caixa com tábuas reaproveitadas de palete de madeira, sem tinta nem verniz, com 60 centímetros de comprimento, 40 de largura e 40 de profundidade. Ela tem 10 centímetros a mais de profundidade que os vasos de antes e muito mais largura. Um produtor de inhame que conheci na feira me explicou que a raiz precisa de terra funda e solta, e foi com essa orientação que defini o tamanho. Apoiei a caixa em quatro pés de 25 centímetros de altura, que a deixaram longe do chão e facilitaram a saída da água.
No fundo, fiz oito furos de um centímetro e meio de largura e cobri o piso com uma camada de brita fina de cinco centímetros de altura, coberta por uma manta de drenagem, um tecido que deixa a água passar e segura a terra no lugar. Posicionei a caixa num canto do quintal que recebe sol direto a maior parte do dia, com uma leve inclinação para o lado do ralo, e a água passou a sair sem molhar a casa.
Para a terra, usei 40 quilos de terra de horta, 4 quilos de casca de arroz carbonizada, que deixa a mistura leve, e 12 quilos de esterco curtido. Misturei tudo numa lona, antes de encher a caixa. Para testar a drenagem antes de plantar, reguei a terra, e a água começou a sair pelos furos em poucos minutos.
Cuidados no plantio, na rega e na colheita das raízes
Na primavera, comecei preparando as duas raízes. Escolhi um inhame inteiro de feira, de uns 300 gramas, daquele alongado que também é chamado de cará, e que já tinha brotos, ou seja, pequenas pontas esbranquiçadas que começam a crescer na casca e de onde nasce a nova planta. Separei em três pedaços de uns 100 gramas, deixando pelo menos um broto em cada um. Deixei os pedaços dois dias à sombra, para a superfície dos pedaços fechar, e só então plantei.
A batata-doce de mercado não vem com raiz, mas ela brota. Escolhi uma batata-doce pequena e a coloquei em um copo estreito com água, de forma que somente a parte inferior da batata ficasse submersa. O copo ficou num lugar claro e quente. Em cerca de três semanas, a parte de baixo criou raízes na água e a parte de cima soltou brotos, que na batata-doce são pequenos ramos com folhinhas. Quando os brotos chegaram a uns 15 centímetros de altura, a batata-doce estava pronta para o plantio.
Dividi a caixa ao meio. De um lado, enterrei os pedaços de inhame a 10 centímetros de profundidade, com o lado do broto voltado para cima, porque é por ali que a planta nasce e sobe até a superfície. Mantive uns 15 centímetros de distância entre eles e fixei uma estaca de bambu ao lado de cada um, para a planta subir. Do outro lado, plantei a batata-doce inteira, enterrada a uns 10 centímetros de profundidade, com os brotos para cima e as pontas deles para fora da terra. Esses brotos cresceram como ramas, que são os ramos compridos da planta, e passaram por cima da borda da caixa, o que deixou mais espaço para as folhas do inhame.
Comecei regando duas vezes por semana, de manhã cedo, mas passei a decidir pelo palito de churrasquinho. Enfiava o palito na terra até onde ele ia: quando saía limpo, eu regava; quando saía com terra grudada, esperava mais um dia.
Como a terra já levava esterco, não adubei nas primeiras semanas. Depois de dois meses, reforcei uma única vez, com uma camada fina de esterco curtido sobre a terra, misturada de leve com as mãos.
A batata-doce ficou pronta uns quatro meses depois de plantada. Afastei a terra de uma ponta da caixa com as mãos e, quando as raízes estavam do tamanho de um punho, retirei com uma pá pequena, a uns 15 centímetros da planta. O inhame levou perto de oito meses. Nos dois casos, as raízes saíram redondas e inteiras, sem o formato torto dos vasos.
O que mudou da caixa elevada em relação aos vasos
A caixa elevada não deixou o cultivo mais trabalhoso: depois de montada, bastou acompanhar a rega com o palito e esperar. A profundidade e o espaço para a raiz foram o que mais mudou em relação aos vasos, e isso apareceu claramente no formato do que colhi.
Um quintal ou um canto de varanda com saída de água já bastam para montar uma caixa assim, com madeira reaproveitada e poucos materiais. O mais importante é deixar a água sair pelo fundo e ter paciência com o tempo de cada raiz, porque a espera compensou nos dois casos.
Sobre raízes e cultivo em pouco espaço, também escrevi Plantando Cenoura Mini em Jardineiras Residenciais e Hortas Verticais Segundo a Tradição Popular das Fases da Lua.
