Levantei a tampa da bombona, o galão grande de plástico, na hora de regar e encontrei o fundo à mostra. Eu tinha certeza de que a última chuva tinha deixado água de sobra, mas só descobri o contrário com o regador na mão.
Captar a água da chuva é guardar, em um recipiente com tampa, a água que escorre da cobertura da casa ou da varanda para usá-la depois nas plantas. O que me faltava era garantir que a água chegasse ao recipiente e saber quanto ainda restava guardado.
Resolvi isso com cuidados simples e dois equipamentos. Passei a conferir se a calha, aquele canal que recolhe a água do telhado e a conduz até a bombona, estava limpa e desimpedida. Instalei uma boia de nível, uma peça que flutua dentro do reservatório, sobe e desce com a água e mostra quanta água ainda há ali. E coloquei um pluviômetro digital, um pequeno coletor com funil, ao ar livre: a chuva cai no funil, enche um copinho que se esvazia sozinho, e o visor mostra quanta chuva já caiu. Com esses cuidados, comecei a planejar a rega das minhas hortinhas caseiras em vez de descobrir tarde demais que a água tinha acabado.
Como mantive a água da chuva guardada e sempre à vista
Montei o sistema em três etapas: posicionar a bombona de modo que a saída do tubo da calha despejasse a água dentro dela, instalar a boia de nível e colocar o pluviômetro digital.
Captação simples com bombona e tampa
Escolhi uma bombona com tampa, de 60 litros e 60 centímetros de altura, e a deixei direto no piso de cimento, plano e firme. Em seguida, a coloquei embaixo do tubo de descida, aquele tubo vertical que leva a água da calha para baixo. A saída desse tubo precisa ficar mais alta que a boca do recipiente, para a água cair dentro dele. No meu caso, a saída ficava a 80 centímetros do chão. Se o seu tubo desce até o chão, ele precisa ser encurtado ou adaptado para despejar a água ali dentro.
Depois, prendi com um elástico um pedaço de tela de mosquiteiro na abertura, para segurar as folhas e deixar só a água passar. Enquanto chovia, deixei a tampa de lado, e depois da chuva a encaixei de volta para proteger a água.
Por fim, conferi se a calha estava limpa e desimpedida, ou seja, sem folhas ou sujeira bloqueando o caminho da água. Com uma escada apoiada em chão firme, retirei as folhas e a sujeira de dentro da calha com as mãos, usando luvas, e descartei tudo. Com um regador, despejei água na ponta da calha mais distante do tubo para confirmar se ela ficou realmente limpa. Na primeira vez, a água parou em uma curva cheia de folhas; depois da limpeza, escorreu inteira. Repito essa conferência uma vez por mês e depois de chuvas pesadas.
Boia de nível para acompanhar a água guardada
Para saber quanta água havia guardada, usei uma boia de nível, uma peça leve que flutua sobre a água e sobe e desce junto com ela. Como o interior da bombona é escuro, escolhi uma boia de cor clara, que aparece bem quando abro a tampa e mostra, sem precisar de lanterna, se ainda há água e em que altura. Se a boia está perto da boca, o recipiente está cheio; se está encostada no fundo, a água acabou. Com 60 litros e 1 litro para cada vaso, consigo atender 12 vasos por cinco regas, e a boia me mostra de forma aproximada a quantidade de água existente.
Pluviômetro digital para medir a chuva que cai
O pluviômetro digital foi a parte tecnológica do sistema. Coloquei o meu sobre a mureta da varanda, em um ponto sem nada cobrindo por cima, para receber a chuva direto no funil. O visor mostra a chuva em milímetros, que é a altura que a água alcançaria se ficasse parada sobre o chão. É a mesma unidade dos boletins do INMET, Instituto Nacional de Meteorologia, que divulga a previsão do tempo no Brasil, e, na minha rotina, chamo de chuva boa aquela a partir de 10 milímetros.
Uso o visor também para conferir se a calha está funcionando. Depois de cada chuva, leio os milímetros no visor e abro a tampa para ver a boia. Em uma chuva de 15 milímetros, a boia passou do fundo para perto da boca da bombona, e entendi que a água estava chegando bem. Já em outra, de 12 milímetros, a boia quase não saiu do fundo. Subi na escada, encontrei folhas presas na entrada do tubo de descida e, depois de retirá-las, a água voltou a descer normalmente. Por isso, quando o visor marca uma chuva boa e a boia quase não sobe, volto a olhar a calha.
Da calha ao regador: uma rotina de rega planejada
Antes, eu só descobria o estado da bombona na hora de regar. Agora, a rotina começa antes: olho o visor do pluviômetro depois de cada chuva e a boia quando abro a tampa, e já sei se a água vai bastar para os vasos nos próximos dias.
O ganho de guardar a água da chuva foi duplo: cada regador feito com ela é água da torneira que deixei de usar, e a reserva da bombona ajuda a manter a rega dos vasos por alguns dias, mesmo quando a chuva demora a voltar.
Esse caminho continua em Irrigação Solar em Cultivo Caseiro para Reduzir Gastos de Maneira Sustentável, que mostra como usar a energia do sol para levar a água até cada vaso, e em Otimizando a Rega com Sensores de Umidade para Plantio em Residências, que ajuda a decidir o momento certo de regar.
