Na minha varanda, a única área livre era uma mureta estreita, onde um vaso redondo não cabia sem atrapalhar a passagem. A solução foi uma jardineira retangular e longa, e foi nela que passei a cultivar cebola para ter sempre algumas prontas para usar na cozinha.
Chamei esse jeito de cultivar de colheita contínua. Primeiro, semeei as sementes de cebola em um vaso à parte. Quando as plantinhas cresceram, passei para a jardineira essas mudas, que são pequenas plantas já formadas e prontas para ir à terra. Depois, colhi primeiro as cebolas maiores e coloquei uma muda nova no lugar de cada uma que saiu, sempre tirada desse vaso de sementes, que semeei de novo a cada retirada. Assim, a jardineira nunca ficou vazia e havia sempre cebolas em tamanhos diferentes, as maiores prontas para temperar arroz, feijão e refogados.
Acompanhei esse ritmo por vários ciclos, e a cada dois meses colhi 10 cebolas grandes, anotando as medidas e os tempos de cada etapa na própria jardineira.
Cebola em fila única: como plantei e colhi por etapas
Comecei por um vaso à parte, retangular, com 30 centímetros de comprimento, 15 centímetros de largura e 15 centímetros de profundidade, com furos no fundo e o mantive ao lado da jardineira. Comprei em um viveiro um pacote de sementes de cebola e enchi o vaso de terra. Espalhei umas 30 sementes sobre a terra, cobri com uma camada fina de cerca de 1 centímetro de terra e reguei com um copo de água, mantendo a terra úmida nos dias seguintes. Em cerca de dois meses, as sementes viraram mudas de uns 10 centímetros de altura, e foi então que passei essas mudas para a jardineira.
Jardineira retangular e longa, com furos para a água escoar
Para receber as mudas, usei uma jardineira retangular, de plástico, com 80 centímetros de comprimento, 15 centímetros de largura e 20 centímetros de profundidade. Escolhi esse formato porque a mureta tinha cerca de 1 metro e 20 centímetros de comprimento, espaço suficiente para a jardineira e o vaso de sementes ficarem lado a lado, sem atrapalhar a passagem. A profundidade também foi suficiente, já que, segundo uma circular técnica da Embrapa Semiárido sobre a cultura de cebolas, as raízes crescem concentradas em até 20 centímetros de terra, a mesma profundidade da minha jardineira.
Essa mesma publicação recomenda evitar terra que fica com água acumulada, por isso conferi o fundo da jardineira e também o do vaso de sementes. A jardineira já vinha com cinco furos e o vaso com três, que são as aberturas por onde a água que sobra sai. Para confirmar, enchi os dois de terra e, usando um regador, despejei água até vê-la escorrer pelos furos sem demora.
Mudas plantadas bem juntas, em fila única, para colher as menores primeiro
Marquei o comprimento da jardineira com uma régua e dividi o espaço em 20 posições, uma a cada 4 centímetros, em uma única fila no centro. Em cada posição, abri um buraco com o dedo, encaixei a muda com as raízes para baixo e cobri só a base branca, deixando as folhas para fora. As mudas, plantinhas finas parecidas com cebolinha, tinham sido tiradas do vaso de sementes. Assim que as retirei, semeei de novo o vaso, do mesmo jeito, para ter mudas prontas dois meses depois.
Plantei as 20 de uma só vez e bem juntas de propósito: cerca de dois meses depois, quando as cebolas ainda estavam pequenas, retirei uma sim e outra não e levei as 10 para a cozinha, onde usei inteiras, com bulbo e folhas, em refogados e saladas. Esse processo se chama desbaste e consiste em tirar parte das plantas para dar espaço às que ficam. Nos 10 espaços vazios, plantei 10 mudas novas, tiradas do vaso de sementes que eu havia semeado de novo, as quais, por serem pequenas, ocupavam pouco lugar e não atrapalharam as cebolas crescidas, agora a cerca de 8 centímetros uma da outra.
Rega nas pontas, onde a terra fica sem água primeiro
Nos primeiros dias, reguei a jardineira inteira, mas percebi que a terra das duas pontas ficava sem água primeiro, enquanto a do meio continuava úmida por mais tempo. Para saber a hora de regar, afundei o dedo uns 2 centímetros na terra: se saía com terra grudada, deixava a rega para o dia seguinte.
Passei então a regar só as pontas, com um copo de água em cada uma, a cada dois ou três dias, e o meio só recebia água quando o teste do dedo pedia. A jardineira ficava em um trecho da mureta com cerca de 6 horas de sol por dia, e esse ritmo manteve a terra úmida, sem poças no fundo.
No vaso de sementes, usei o mesmo teste do dedo, mas olhei a terra todos os dias, porque o vaso era pequeno e ficava sem hidratação mais rápido que a jardineira. Quando o teste pedia, reguei a terra toda com meio copo de água, devagar, para não deslocar as sementes nem as mudas.
Colheita alternada: cada cebola colhida dá lugar a uma muda nova
Cerca de quatro meses depois do plantio, as folhas das 10 cebolas crescidas amarelaram e tombaram, sinal de que estavam prontas. Cada uma tinha cerca de 6 centímetros de diâmetro. Para colher, segurei a terra ao redor com uma das mãos e puxei a cebola devagar, pela base das folhas, com a outra, assim as raízes da muda vizinha ficaram no lugar.
No espaço de cada cebola colhida, plantei uma muda nova, tirada do vaso de sementes que eu havia semeado de novo no desbaste. Nessa altura, as mudas plantadas no desbaste já estavam médias, com folhas de uns 25 centímetros, e a jardineira seguiu com uma pequena ao lado de uma média. Desde então, a cada dois meses, colhi 10 cebolas grandes e repus 10 mudas, e sempre que tirava mudas do vaso, semeava de novo nele, para ter mudas prontas na reposição seguinte.
Uma jardineira, uma fila de cebola e colheita a cada dois meses
Depois de alguns ciclos, a jardineira passou a seguir um ritmo próprio: toda vez que uma cebola grande saía, uma muda do vaso de sementes entrava no lugar, e a fila nunca ficou vazia. A cebola demora a crescer, foram seis meses entre a semeadura e a primeira colheita das cebolas grandes, e por isso a quantidade de uma única jardineira foi modesta.
Com um espaço maior, para plantar mais filas, esse mesmo ritmo renderia bem mais e valeria ainda mais a pena. Mesmo assim, passei a comprar menos cebola, porque quase sempre havia algumas prontas na varanda, e as pequenas, usadas inteiras, deram um toque mais suave aos refogados.
O assunto de caixas com boa drenagem e de cultivo em pouco espaço aparece também em Raízes Tropicais em Caixas Elevadas com Boa Drenagem, que mostra por que esse tipo de caixa funciona para plantas cuja parte comestível cresce debaixo da terra, e em Plantando Mostarda Japonesa em Suportes Verticais Compactos, que traz os detalhes para montar o suporte e cuidar do cultivo na vertical.
